Luto - enfrentado a perda

Uma parábola muito conhecida fala de uma mulher que vai até Buda com o filho morto nos braços e suplica que o faça reviver. Buda diz que, para trazer de volta a vida do menino, ela precisa encontrar alguns grãos de mostarda que devem ser de uma casa onde nunca tivesse morrido alguém. A mãe vai de casa em casa, mas não encontra nenhuma livre de perdas.

Ninguém está livre de sofrer uma perda, ela faz parte da nossa vida. A morte faz parte da vida.

Precisamos entender este processo, o da perda, para sabermos como lidar com isso, para aceitar o sofrimento e não perder a nossa saúde.

Este processo geralmente passa por quatro fases:

Fase 1. Choque. A pessoa:

  • Se sente atordoada ou adormecida.

Fase 2. Negação ou procura. A pessoa:

  • Fica em estado de incredulidade.
  • Faz perguntas do tipo "porque isto aconteceu?" ou "porque eu não evitei isto?"
  • Procura maneiras de manter a pessoa amada ou a perda consigo.
  • Pensa ver ou ouvir a pessoa perdida.
  • Apenas começa a sentir a realidade do ocorrido.

Fase 3. Sofrimento e desorganização. A pessoa:

  • Tem sentimentos como culpa, depressão, ansiedade, solidão, medo, hostilidade.
  • Pode culpar qualquer um ou qualquer coisa pelo ocorrido, incluindo a si mesma.
  • Pode apresentar sintomas físicos como dor de cabeça, dor de estômago, cansaço constante e falta de ar.
  • Afasta-se dos contatos sociais e da sua rotina.

Fase 4. Recuperação e aceitação. A pessoa:

  • Começa a olhar para o futuro em vez de se concentrar no passado.
  • Ajusta-se à realidade da perda.
  • Desenvolve novos relacionamentos.
  • Desenvolve uma atitude positiva.

Devemos então encontrar um lugar para a pessoa que perdemos no cantinho da saudade e das lembranças boas. Daí seremos capazes de reinvestir nosso amor e esperança nas pessoas que ficaram e que, certamente, precisam muito de nós. Como já diz Herbert Vianna "cuide bem do seu amor" — letra de música que toca profundamente, refletindo a angústia da experiência da perda e, ao mesmo tempo, um hino de reconstrução para a vida.

Fonte: http://www.lincx.com.br e KATYA KITAJIMA psicóloga e coordenadora do Serviço de Psicologia Hospitalar da Clínica São Vicente.

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