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Esperança – é a última que morre?
Nunca foi fácil viver. A visão romântica que temos das décadas ou dos séculos passados não passa de licença poética dos romancistas e dos cineastas, acobertando a vida dura de nossos antepassados. Entretanto, viver parece ser uma aventura cada vez mais perigosa, mas isso se deve ao fato de que a caixa de Pandora moderna tem controle remoto, e despeja sobre nosso sofá tudo o que “dá notícia”. Tsunâmis inesperados, furacões esperados, mas subestimados, terroristas armados de bombas e de loucura; políticos corruptos livrando suas caras através de manobras e conchavos. A própria esperança se surpreende e se assusta quando é usada como cabo eleitoral, sendo nomeada para vencer o medo. Apesar de tudo isso, a esperança não é dispensável. Ter esperança é acreditar no amanhã. É supor que a vida vai melhorar, que o dinheiro vai dar, que a febre vai diminuir, que a lavoura vai crescer, que o sorriso vai perdurar. E tudo isso porque nós vamos fazer nossa parte. Ter esperança é assumir nosso lado divino e nos responsabilizarmos pela continuação da obra de criação, pondo o cérebro para pensar, o braço para trabalhar e o coração para amar o que se quer, o que se faz e o que se sonha. A pessoa que perde a esperança perde-se a si mesma, porque esperança pertence à sua essência. O viver tem a esperança do ser. O sonho tem a esperança da realização. O trabalho tem a esperança do resultado e do pagamento. O olhar furtivo tem a esperança do sorriso malicioso. A piada tem a esperança do riso. A música tem a esperança da emoção. O beijo roubado tem a esperança de mais um beijo apaixonado. A verdadeira esperança é aquela que acalanta sem enganar, que motiva sem iludir, que apóia com bases sólidas, construídas pela responsabilidade. Essa é a esperança que não morre. E, se morrer, será a última, pois depois dela não há mais nada. Texto da revista Vida Simples, Editora Abril. Cadastre-se para receber novas
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