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Escravização eletrônica versus qualidade de vidaComputador de mesa, celular, notebook, blackberry... As ferramentas tecnológicas mudaram, em poucos anos, a forma como nos relacionamos profissional e socialmente, criando um ambiente de alta disponibilidade no qual todos são facilmente acessados em qualquer lugar e a qualquer momento. A informação que circula neste meio é veloz a ponto de aproximar empresas, clientes e pessoas como se estivessem cara a cara. Conhecidos como Nômades Digitais, o grupo está cada vez maior. Porém, cada vez mais estressado. A mobilidade é a palavra do momento para todos os nichos de usuários de tecnologia, sejam estudantes que precisam se manter informados o tempo todo para realizar suas pesquisas acadêmicas; executivos que precisam gerenciar empresas e equipes, mesmo estando a milhares de quilômetros da sede da companhia; ou simplesmente cidadãos que querem ou necessitam estar conectados 24 horas por dia. Este novo panorama, que se sustenta em internet móvel, Wi-Fi, serviços diversificados via celular e outros dispositivos, mostra que é cada vez mais fácil se conectar ao mundo e trabalhar de qualquer lugar. Indiscutivelmente, esta realidade é um grande avanço para a sociedade e seus sistemas mercadológicos. Porém, o mau uso destes recursos tem causado outros problemas de ordem social, gerando "escravos do mundo virtual", pessoas que não conseguem se desconectarem e se sentem obrigadas a estar disponíveis para chefes e clientes 100% do tempo. Poder realizar diversas tarefas simultâneas agiliza a rotina dos profissionais, que estão produzindo ainda mais para seus empregadores. No entanto, esta geração está enfrentando o desafio de separar a rotina de trabalho da vida pessoal, de modo que a qualidade de vida permaneça como um item importante na relação de prioridades. Saber lidar com esta amplitude de opções tecnológicas é o grande desafio dos Nômades Digitais para a próxima década. Ou aprendem a desligar o blackberry na sessão de cinema, ou serão pessoas cada vez mais sozinhas, sem personalidade e conteúdo. Definitivamente, as empresas não querem workaholics disponíveis 24 horas ao dia. Elas precisam de profissionais focados, criativos e organizados (principalmente com a distribuição do seu próprio tempo), capazes de gerar resultados de alta qualidade dentro do prazo esperado e aproveitar o tempo livre com atividades que os deixem com as cabeças arejadas para voltar ao trabalho no outro dia, com o mesmo empenho. A tecnologia bem administrada será sempre benéfica para a sociedade, servindo como um facilitador. Contudo, outro ponto relevante nesta discussão é o contato pessoal, que ainda é necessário. Não há nada que substitua uma boa conversa, frente a frente, na qual há espaço e aproximação suficiente para a troca de idéias e argumentações. Profissionais e empresas não podem simplesmente substituir os escritórios por home-offices sem que a interação interpessoal seja resgatada e estimulada com certa freqüência, e que limites sejam impostos à tecnologia em prol de uma boa qualidade de vida. Para alcançar este equilíbrio entre o pessoal e o profissional, virtual e real, é essencial ser capaz de identificar os momentos certos para dizer não aos dispositivos tecnológicos, como na hora de dormir, fazer as refeições ou até tomar banho, no convívio familiar e durante os períodos de lazer. O bom profissional sabe quando sua disponibilidade é realmente necessária, e não precisa estar o tempo todo conectado para ter seu trabalho e esforços reconhecidos. É preciso ter claro que a tecnologia não é uma forma de escravização eletrônica, assim como as redes sociais e ferramentas on-line (como Facebook, Orkut e MSN) não são as únicas formas de interação e diálogo. O aparato hightech disponível hoje no mercado é uma tentação à hiperconectividade, mas uma boa reflexão sobre o papel de cada um destes aparelhos pode nortear o uso racional e saudável da tecnologia, sem fazer dela a grande vilã do mundo moderno. Autor: Gazeta Mercantil por Raymundo Peixoto
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